A rotina com um bebê: o primeiro mês

Nasceu a criança, que loucura! Numa noite eu estava dormindo e na outra, pluft! Tinha um bebê. Depois do parto eu fiquei meio dolorida… lá. Sabe onde? Incomodava pra sentar e depois pra levantar. Então quando o bebê chorava, o marido o trazia pra eu amamentar. E a rotina era mais ou menos assim:

00:00 Acordo com bebê chorando, sento na cama enquanto o marido traz o bebê e descubro que o peito já havia pressentido o despertar do pequeno e o colchão está molhado de leite. Amasso o peito em movimentos circulares e plugo a criança. Cravo as unhas no braço do marido que não conseguiu se afastar rápido o bastante. Putaquepariu essa criança tem um vácuo na boca! Solto o braço do marido pra secar uma lágrima e corrigir a pega do dementador sugador de almas. Boca de peixinho, sucção sem barulho, peito sem dor, ok.

Mas que calor dos infernos! Tiro coberta, tiro roupa, ligo o ventilador. Abro a boca pra receber alguma comida que o marido trouxe: chocolate, sachê de mel que não deu tempo de tomar no trabalho de parto, pão com geleia, vai do humor do chef. Caralho, que sede! Marido me alcança a água porque nessa época eu ainda segurava o bebê com as duas mãos. Putz, agora tô com frio! Desligo o ventilador e puxo a coberta. Marido senta na cama e puxa conversa:

-O neném tá respirando?
-Tá.
-Tá mamando?
-Tá.
-E tá saindo leite?
-Deve estar.
-Como assim, você não sente sair?
-Não.
-E como vamos saber que ele mamou?
-Olha, dormiu! Se estivesse com fome não dormiria.

O pai deita o bebezinho de pé no colo, como um sapinho. Céus, como ele é pequeno!

Essa dor que eu tô sentindo é vontade de fazer xixi ou é só dor mesmo? Sei lá, melhor ir ao banheiro. Faço uma forcinha pra levantar da cama e… ops! Vazou um pouquinho! Ainda bem que estou usando absorvente. Vou ao banheiro e faço um xixi de quem estava esperando chegar na rodoviária para não ter que usar o banheiro do ônibus. É por isso que estava doendo! Troco absorvente, calcinha, camisola que molhou de leite e volto pro quarto tropeçando numa olheira que nunca tive.

Bebê-sapinho ainda no colo do pai, ok. Esperamos mais uns cinco minutos por um arroto que nunca vem e desistimos. Vai a criança pro bercinho do lado da cama. Marido confere a temperatura, umidade do ar, direção do vento e luminosidade do quarto antes de deitar. Um double check na respiração do anjinho e voltamos a dormir. Já é 01:00.

Às 03:00 o processo se repete, incluindo uma troca de fraldas que a gente fazia a cada mamada porque nessa idade o bebê ainda não se decidiu entre mamífero ou ave, e faz cocô sempre que come. E às 06:00 o procedimento é transferido para a sala onde, ao invés de sachê de mel, o marido me alimenta com o café da manhã, com o almoço e demais refeições.

Na sala também dava pra receber as visitas que queriam muito me ajudar mas, meu Deus, me ajudar como se só eu tinha peito e um recém nascido precisa mesmo é da mãe? Me ajudar a ficar com o neném no colo depois que eu fiz ele dormir? Moleza! Poderiam ajudar ao meu marido que fazia café-almoço-jantar-lavava-a-louça-e-a-roupa-do-bebê-na-mão. Mas isso ninguém quer fazer né!

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