Avó não é mãe

As pessoas perguntam como é ser avó, o que se sente, o que muda… Nada! Não muda nada. Você continua sendo mãe, só que sua filha ou seu filho agora é mãe ou pai. Simples assim.

Quando me perguntavam como eu estava me sentindo como avó, eu respondia simplesmente: ótima! O que sentir mais? Orgulho da minha filha e genro? Sim, muito! Felicidade por eles e pelo bebê? Sim, muita! Falta de sono? Não! Cansaço? Não! Dúvida de como agir? Não!

Sempre achei que meu papel de mãe é apoiar, orientar, ajudar quando solicitada, estar sempre ao alcance, disponível, mas sem nunca querer assumir o papel da mãe, as tarefas da mãe e do pai, nunca ultrapassar os limites ou disputar espaço. Eu sempre quis que minha filha e meu genro fossem os primeiros em cada novidade do meu neto – em cada primeiro ato dele. Ouvir deles o relato de cada acontecimento, e se possível presenciar com eles a repetição desses momentos, é maravilhoso. Recebo fotos e vídeos das novidades e acho o máximo, é como se estivesse curtindo junto. E viva a tecnologia a nosso favor!

Eu tenho opinião própria sobre como criar filhos, porque criei as minhas. Tenho experiência com as duas – e experiências diferentes. Então, se pedem minha opinião ou se querem contar com minha experiência como mãe, na hora! Estou sempre pronta pra contribuir. Confesso que às vezes escapa um pitaco ou outro, mas… é coisa de mãe.

A maternidade/paternidade é algo tão especial, que só vivendo! Mas avós não são pais, são avós. Assim como tios não são pais. Primos não são pais. Amigos não são pais.

Amo ver meu neto crescendo, aprendendo, demonstrando habilidades, se socializando… Brinco com ele, canto pra dormir, sou paparazzi, mas tudo dentro dos meus limites de avó-coruja. Quero ser a mãe disponível pra minha filha, o colo pra quando qualquer um deles estiver cansado, a avó querida do meu neto. Quero estar aqui, curtindo e amando, como se fosse um filho – só que não.

Ele me suga

Enquanto escrevo, deitada ao seu lado, meio torta, com um braço dormente, ele mama, adormecido, como faz todas as tardes. Penso na pia cheia de louça por lavar, na roupa de cama por trocar, nos brinquedos espalhados pelo chão feito um campo minado e sofro por estar aqui e não lá, lavando, limpando, arrumando.

Essa noite sonhei que explicava para alguém que eu já não era mais a mesma mulher que fez aqueles planos. Penso nos sapatos de salto acumulando poeira no armário, nas bolsas embolorando, nas roupas saindo de moda e sofro por estar aqui e não lá, me equilibrando, me maquiando, fazendo dinheiro.

Na mesa há um computador cheio de planilhas e na despensa um estoque cheio de um negócio que não consegui frutificar. Porque ele me suga e eu deixo, eu gosto, eu amo estar aqui e não em outro lugar.

Se tem algo que aprendi sendo mãe foi a me superar. Superar minha fome e ser o seu alimento. Superar meu sono e dar-lhe colo até que ele durma. Superar meu medo e ser o seu socorro.

E superar não é o mesmo que ignorar, é fazer desaparecer mesmo. Tanto, que às vezes me pergunto: onde eu fui parar? Me superei.

Esse negócio de ser mãe é mesmo lindo. É poético. É mesmo louco. Bipolar. Sinto que encontrei meu lugar no mundo. Mas parece que o mundo não tem mais lugar em mim.

O que fazer com seu bebê recém-nascido

CHEIRE
Sinta seu cheiro assim que ele nascer. É o cheiro mais incrível que existe. Selvagem. Animal. Cheiro de vida. Se possível, avise na maternidade para não dar banho no bebê assim que ele nascer, isso pode esperar. Assim você pode sentir esse cheiro por mais tempo. E de quebra ainda pode dar você mesma o primeiro banho do bebê, no dia seguinte. Mas sinta seu cheiro, é algo único. E delicioso.

Depois disso, aprecie todos os cheiros que ainda virão: o bafinho de leite, maravilhoso; o cheirinho doce do cocô de quem só toma leite materno; o perfume do sabonete que nos faz lembrar da própria infância. Esses cheiros deixam saudade, portanto, aprecie cada um deles.

TOQUE
Toque sua pele assim que ele nascer. É a pele mais macia que existe. Assim como a nossa pele fica macia depois de passar muito tempo dentro de uma banheira de água morna, a pele do bebê é muito lisinha. Se possível, fique sem roupa para tocar o bebê com toda a sua pele também. Ajuda a manter a temperatura do bebê estável, permite que ele também sinta seu cheiro e, de quebra, ajuda na amamentação. Faça-lhe carinhos. É mágico.

Depois disso, de muitos abraços, segure muito no colo, mesmo quando estiver dormindo, pois para o bebê não há lugar em que se sinta mais seguro do que no seu colo, envolvido no seu abraço. Perceba como o pequenino se encaixa em seus braços e seu peito antes que ele cresça.

ESCUTE
Escute seu chorinho assim que ele nascer. É o som mais agradável que existe. O som da vida. Com o tempo, o bebê passa a chorar de um jeito diferente e a gente acaba esquecendo como é o choro de um bebê novinho. Lembra apenas da sensação. Não é dor nem medo, apenas comunicação. É encantador. Da um alívio. Da uma aflição. Faz o leite correr. Grave esse som, se puder, para ouvir anos depois. É musical.

Depois disso, aguarde o primeiro suspiro, o primeiro espirro, o primeiro balbucio ou um bocejo. Os bebês fazem barulhinhos encantadores que nunca mais se repetirão, à medida que ele aprende a se comunicar melhor. Novos sons surgem e outros somem, escute todos.

OBSERVE
Fite os olhos do seu bebê assim que ele nascer. É o olhar mais profundo que existe. Na fase final do parto o corpo da mãe produz adrenalina e, quando o bebê nasce, está sob influência desse hormônio também, por isso nasce alerta e de olhos bem abertos. Vocês dois estarão prontos para se apaixonar. Namore seu bebê. Olhe nos olhos sem pressa. É profundo.

Depois disso, note o tamanho de suas mãozinhas e pezinhos, faça fotos ou carimbos e se surpreenda, meses depois, com o quanto eram diminutos os seus dedinhos. Observe seus movimentos, como esfrega o rosto ou leva as mãos à boca quando tem fome, tudo é comunicação.

PROVE
Isso mesmo: prove. Se tiver vontade, pode dar uma lambida no bebê logo que ele nascer. Eu tive vontade, mas fiquei com vergonha e me arrependo de não ter provado. Mas prove mesmo o leite que seu bebê vai tomar. Depois de provar o gosto horrível do leite artificial eu tive ainda mais certeza do quanto eu queria insistir na amamentação. O leite materno é doce, eu provei. Lembra o leite de vaca, mas é muito melhor.

Depois disso, prove novamente tudo o que você tem comido e pense se é isso o que você espera que seu bebê coma. Planeje suas refeições para garantir saúde e bem estar para vocês dois, pois enquanto o bebê mamar, vocês compartilharão nutrientes. E porque desde sempre, nós aprendemos pelo exemplo. E assim, quando ele for iniciar a introdução alimentar, já terá o paladar preparado para saborear tudo de saudável que você lhe oferecerá do próprio prato, eu espero.

Os olhos de um recém-nascido

Quando Francisco nasceu, minha irmã o olhou nos olhos e sentenciou: “Que olhos lindos e brilhantes! Parecem duas pedras preciosas.”.

Quem já olhou nos olhos de um recém-nascido sabe a sensação. A sensação de vazio. De abismo. De infinito. Os olhos não são nem azuis nem pretos. Como um céu noturno. Quase podemos ver as galáxias dentro deles.

E quanta beleza há nesse vazio. Esses olhos recém-abertos são como uma lousa, um quadro negro pronto para ser preenchido pela luz. É preciso cuidar muito do que esses olhos verão pela primeira vez. Pois, pela primeira vez, tudo será visto. Como somos nós, seus pais e guardiões, que iremos iluminar esses olhos, devemos cuidar para que tudo o que vejam seja belo.

Quem já olhou nos olhos de um filho recém-nascido sabe a sensação. A sensação de vertigem. De mar profundo. Parece que podemos nos afogar neles. E parece que há uma alma perdida lá no fundo. É nosso papel trazer essa alma à tona. Chamá-la pelo nome que ela nos revelou e fixá-la neste cais que lhe construímos – seu corpo físico. Como seus guardiões, devemos cuidar para que o cais lhe seja seguro, para que ela deseje ficar.

Nascer é uma decisão difícil. Requer humildade aceitar esquecer o que se sabe para reaprender tudo novamente deste lado da vida. Muito se perde. Nem tudo se lembra. E aquela alma plena pode se tornar pequena. Quando recebemos uma vida para guardar, devemos cuidar para que ela possa realizar todo seu potencial, para que tudo que há nela possa ser despertado.

Dos nossos filhos somos guardiões. Portos seguros. Cais. Mas todo guardião é também um educador. E educar é iluminar. Colocar luz no quadro negro. Refletir estrelas na superfície do mar.

Ser mãe e pai, verdadeiramente, é missão mui nobre. Espero que nós também, quando chegarmos do outro lado da vida, tenhamos pessoas carinhosas para nos receber, admirar o abismo em nossos olhos, e colocar na frente deles a beleza do lado de lá. Que, quando morrermos aqui e renascermos lá, haja alguém de olhar sincero para fitar nossos olhos vazios e ver, para além do que somos, tudo o que podemos ser. E nos ajudar a realizar.

Os copos quebrados

Tenho duas avós. Uma delas vive esperando a morte. A outra vive esperando a vida.

A mãe de mamãe comemorou seus catorze anos, pois tinha certeza de que não viveria para vê-la completar quinze. Mas já viu duas vezes quinze, três vezes quinze e um pouco mais. Já viu a neta mais nova fazer quinze e, se bobear, verá a bisneta mais velha fazer quinze anos também.

Arrisco até dizer que vovó anseia pela morte. Teme adoecer. Teme sentir dor. Teme ser dependente. Teme ser anciã. Teme perder mais uma filha. Esperar morrer antes que tudo isso aconteça. Se despede da gente todo Natal, enquanto nos presenteia com seus paninhos de prato bordados com muito custo, porque lhe doem as juntas. Diz que daquele ano ela não passa. Mas passa. Vai passando.

A mãe de papai tinha um conjunto de doze copos que fora presente de casamento. Aqueles copos finos de cristal, decorados, lindos. Nunca os havia usado. No ano em que completava quarenta anos de casada, meu tio foi pegar algo no armário onde estavam os copos, esbarrou na prateleira e os derrubou todos. Dois sobreviveram. No Natal daquele ano vovó e eu brindamos com Coca-Cola naqueles dois copos e eu lhe disse: seria melhor tê-los usado durante a vida toda e quebrado um de cada vez do que quebrar todos de uma vez só sem nunca tê-los usado. Vovó concordou. E brindamos.

Se a certeza da morte nos faz aproveitar cada Natal, ou se a certeza da vida nos faz guardar os cristais no armário, não sei. Só sei que tenho duas avós. Cada uma com suas expectativas. E eu com as duas.

A primeira vez que amamentei

A primeira vez que eu amamentei, aquela vez que vai ficar guardada pra sempre num espaço secreto entre a retina e a memória, entre a pele e o coração, não foi logo depois que meu filho nasceu e a neonatologista apressada apenas o colocou sobre meu seio antes de separá-lo de mim pela próxima hora, desrespeitando as recomendações do Ministério da Saúde sobre o contato prolongado entre mãe e bebê durante a hora de ouro.

Tampouco foi duas horas após o parto, quando meu filho já estava vestido e com o cheiro das pessoas que o seguraram no colo antes de mim, quando uma enfermeira veio me orientar sobre pegas e posições e eu estava mais preocupada com a logística de segurar sua cabecinha, encaixar meu peito em sua boquinha e tentar ouvir o que todos a minha volta falavam.

Também não foi da primeira vez que amamentei dentro de nossa casa, coisa de que nem me lembro.

A primeira vez que amamentei, aquela vez que ficou queimada na lente dos olhos com os quais passei a enxergar o mundo depois que eu pensei que fosse perder meu filho, foi dentro de um outro hospital, num quartinho de UTI pediátrica.

Dois dias antes meu bebê havia passado por uma cirurgia de emergência e por um pós-operatório difícil. Os médicos suspeitaram de várias complicações e chegaram a falar em operar novamente, por isso eu não pude amamentar por dois dias, até que ele estivesse estável.

A primeira noite na UTI o meu bebê passou com o pai. Uma noite que ele não esquece e que tenho certeza que merece um texto só para ela. O que sei é que meu filho chorou a noite toda, que meu esposo se lembra desta como a mais terrível das noites e que quando voltei ao hospital no dia seguinte, nenhum dos dois era o mesmo que eu havia deixado na noite anterior. Mas meu bebê estava melhor, e no fim das contas meu esposo me recebeu com um sorriso: eu poderia amamentar novamente.

Enchi dois copos com água e os apoiei no bercinho aquecido da UTI. Posicionei a poltrona a uma distância que eu alcançasse os copos e que eu pudesse segurar o bebê sem esticar demais o fio com soro. Deixei ao meu lado uma fralda para limpar o leite que sempre escapava dos seios. Tirei a blusa que vestia pois queria tocar o bebê com minha pele. Massageei as mamas com os olhos fechados, olhando para dentro de mim e sentindo a vida fluir do ar para meus pulmões, do coração para os meus seios. Uma enfermeira me entregou o bebê e eu o abracei com todo o meu espírito. Ele mamou. Éramos um só novamente.

Eu queria me doar inteira por ele. Queria que toda minha energia e vitalidade pudessem alimentar seu corpo e sua paz. Eu sorria. Podia sentir meu sorriso ocupando todo aquele pequeno quarto. E a enfermeira nos deixou a sós naquele nosso transe.

Eu queria cantar. Porque a paz que eu sentia precisava ocupar mais espaço que os nossos corpos. E eu cantei as músicas mais bonitas que consegui lembrar, as músicas que ouvi na minha própria infância e que me faziam lembrar de um tempo de crescimento, saúde e felicidade. Cantei para meu filho naquele quarto de hospital sem me preocupar com o quanto eu seria inconveniente com as famílias dos outros pacientes, alguns em estado gravíssimo. Cantei sem medo de ofender alguém com minha felicidade ofuscante. Meu filho estava vivo. Eu o tinha nos meus braços novamente, de onde nunca deveria ter saído.

Era como se ele houvesse acabado de nascer e eu o pudesse olhar novamente como da primeira vez, mas dessa vez foi um momento íntimo, respeitado, mágico e infinito. Com meus olhos eu lhe dizia que estávamos juntos nessa jornada, que eu estava ali com ele e por ele. Juntos nós tivemos a oportunidade de enfrentar o medo com bravura. De enfrentar a dor com serenidade. Eu sentia que minha missão na vida é conduzir este pequeno ser pelas desventuras da vida com dignidade e paz. Ou seria esta a missão dele para comigo?

Na janelinha que havia na porta do quarto, rostos aliviados se revezavam para observar aquele recém-nascido mamando e eu sorria para eles, orgulhosa. “Ele mama tão bem! É mesmo o seu primeiro filho? Você é profissional da área da saúde?” Sim, este é o primeiro bebê que eu amamento. É meu único filho. Não fiz da saúde minha profissão. É minha escolha para a vida: sou mãe.

Relato de parto sem mimimi

Acompanho várias páginas sobre gestação, parto e maternagem na internet e, vez ou outra aparecem lindos relatos de parto escritos pelas doulas que apoiaram essas gestantes em seus partos. E percebi que os relatos mais longos são sempre os das mães tranquilas, que transpareciam paz e dos partos muito rápidos, porque “o parto está na cabeça da mulher” ou dos muito demorados em que a mulher foi corajosa e determinada. Ah, e os bebês grandes também são mais comemorados. Como se os pequenos fossem mais fáceis de parir!

De vez em quando aparece um relato curtinho do tipo: “Nasceu Fulano. Com este peso e este tamanho. Parabéns papai e mamãe!”. E eu fico imaginando como terá sido esse parto, que não mereceu um texto emocionado de quem estava lá para ver. Será que não foi bonito?

Fiquei lembrando do meu próprio parto e de todos os detalhes que eu mesma deixei de relatar quando escrevi sobre ele e decidi escrever um relato sem floreios, pensando que seria divertido. Ficou assim:

Relato de parto sem mimimi

E nasceu mais um menino lindo e pequenino. Pensa num parto rápido…

Quando falam que o parto está na cabeça da mulher, é a mais pura… falta do que falar. É fazer a mulher do parto rápido se sentir foda e a do parto demorado se sentir incompetente. As que fizeram cesárea intraparto então, nem se fala… derrota total. Não, o parto não está só na cabeça. Parem de culpar as mulheres por tudo.

Esse parto foi totalmente o oposto da mãe, que é positiva, tranquila, sempre transparecia uma paz enorme. Esse parto foi intenso, a fez gritar e chorar e gargalhar e esquecer de respirar. A deixou nua, descabelada, pálida, trêmula. Diferente da diva que ela se imaginou.

Assim foi seu parto: já no hospital a bolsa rompeu e sua dilatação saltou de 1cm para 4cm. Em meia hora no chuveiro ela pensou que o bebê já estava nascendo, pois começou a sentir os puxos. Apareceu até uma enfermeira toda equipada com máscara e luva pra aparar o bebê, mas ainda era cedo, ela ainda (já) estava com 6cm de dilatação.

Ela nunca imaginou que a dor do parto era tipo a pior dor de piriri que ela pudesse sentir na vida: vinha aquele arrepio que a fazia implorar “Outra contração nãaaaaaao!” e depois uma dor do cacete no pé da barriga, bem onde a água quente do chuveiro não alcançava. Era assustador! Ela até pediu analgesia, mas foi da boca pra fora. O marido a sacudiu pelos ombros dizendo: “Seje hômi, mulé!” e ela ficou um pouco confusa com a questão de gênero, mas lembrou que haviam combinado de não usar analgesia e seguiu em frente. Estava em trabalho de parto há menos de uma hora e já queria abraçar todas as mulheres que escolheram a cesárea: “Eu te entendo, amigas”.

Ela sentia tanta vontade de fazer força que jurava que o bebê estava nascendo, então todos foram logo para a sala de parto. Mais meia hora debaixo d’água e a dilatação foi para 9cm. Muito foda, samulé! O bebê estava com o dorso à direita, posição que dizem causar um parto demorado. Sei… Nem a mãe nem o bebê estavam preocupados com isso.

De vez em quando, entre uma contração e outra, ela ria uma risada meio louca, assim, que deixava todo mundo meio assustado: “Você tá rindo ou tá chorando?”. Nem ela sabia direito: “Eu tô chorando mas eu tô feliz pra caramba! Há-há-haaaaaaaaaargh”. E as pessoas se olhavam meio nervosas, com os olhos arregalados, preocupadas com a sanidade mental dela.

Quando viu a banqueta para parto de cócoras, ela disparou: “Quero sentar! Posso sentar? Quero sentar!”, maluquinha. A obstetra disse que ainda estava cedo para sentar, mas ela já tinha sentado. Aproveitou pra checar a dilatação: total. Vai nascer. Apaga a luz, desliga o ar, chama a pediatra. A obstetra passou a mão numa bandeja com cinquenta tons de tesouras e ela pirou, lembrando da tal da episiotomia: “Não, não, não, não, não!”, ela dizia e só o marido sacou o que a louca estava pensando: “Calma, amor, ela não vai fazer nada, são para cortar o cordão umbilical.”. “Foda-se o cordão! Já tá acabando? Já vai nascer? Tá doendo muitoooooo!”.

Depois de muito mimimi, o bebê nasceu, num expulsivo cheio de medos em que a própria mãe fechou os olhos para não ver: “Minha pepeca nunca mais será a mesma.”, ela pensou. Bobagem, tá igualzinha. E ainda brigou com quem tentou fazer as fotos que ela mesma havia pedido para fazer: “Vira essa câmera pra lá!”, ela estava com muito medo de ver a pepeca com um bebê dentro. A médica sugeriu: “Coloca a mão pra sentir a cabecinha do bebê”. “Não quero!”, ela disse, mas o pai foi corajoso e sentiu o cabelinho do bebê coroado. Mais uma contração e o bebê nasceu! E quando o seguraram no colo juntos e ele fez xixi, para o desespero da mãe: “Que água quente é essa, meu Deus?!”, foi o pai quem anunciou a surpresa que todos esperavam: é o Francisco!

Nasceu às 15:03 com 2.700g e 44cm.
Parabéns mamãe e papai.