Transcendental

Não sou de ninguém. Sou sua mãe, mas não sou sua. Meu filho também não é meu. Chama-se Francisco pois é livre. Nenhuma namorada irá roubá-lo de mim porque ele não é meu. Ele é de si mesmo.

Lhe preparei um corpo para habitar. Dispus meu corpo para lhe alimentar. Vou lhe ensinar a viver na Terra. E ele me ensinará a chegar ao Céu. Pois esteve lá por mais tempo que eu. É mais sábio do que eu. Me ensina, o meu filho, a ser mais que eu.

Se eu lhe disse “olá”, ele me dirá “adeus”. Se me esperou dizer que poderia nascer, o esperarei dizer que posso morrer. Se eu lhe abri a porta para ficar, ele me abrirá a porta para partir.

Nem troféu, nem trunfo. Meu filho não é meu. Sou sua mãe, mas não sou sua. Somos mestre e aprendiz. E o aprendiz faz o mestre. Não sou como pretendia ser. Nem ele é como sonhei. Sou quem ele precisa. E ele é o que eu preciso. Somos um do outro. E de nós mesmos.